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Merleau-Ponty e a dimensão do espaço

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Nós somos o espaço. Existe um movimento de troca entre o estofo do mundo e o estofo que somos, que se intercambiam numa intracorporalidade, que se expressa em tempo, espaço, sexualidade: CORPO E CARNE.
O corpo é um corpo senciente se sensIvel que não tem propriamente limites, se estende ao mundo e aos outros. Não há qualquer determinação de um espaço sequer que possa implicar num limite rígido, onde eu começaria e terminaria. Sou em uma das minhas dimensões dito em espaço, que me expressa como parte do mais íntimo, para uma dimensão pública, na qual meu rosto expressa minha apresentação como totalidade da pessoa que sou. Pessoa significa relação, constituído na comunicação com o outro, com o mundo, sem hiatos. O corpo é um corpo dotado de expressividade, movimento, que está em constituição permanente infinda. Em nenhum momento SOU. Paulo Freire insistia… eu estou sendo. Não há uma identidade captável, acabada, a qual me possa referir. É movimento ou o processo vivo em fluxo que se referia Heráclito. De que “não podemos entrar no mesmo rio duas vezes, na segunda vez, o rio já não seria o mesmo, e eu também já seria um outro eu…” Não somos seres conclusos, ao contrário, estamos nos fazendo num constante vir-a-ser que nos expressa e nos constitui na expressão, na dicção simbólica, na comunicação, na interação, na comunhão.
O espaço me recorta em todos os sentidos, porque antes de termos um espaço exterior significativo, ele existe lá porque é ele mesmo uma relação, entre corpos. Nenhum espaço é pura geometria. Ele me compreende e eu o compreendo, eu o assumo e ele me assume. A espacialidade é uma das dimensões inseparáveis de todas as outras, tanto quanto não faz sentido espaço sem tempo, ou tempo sem espaço.
Kant mencionava a origem do espaço e do tempo como forma sensíveis, como FORMAS, gestalt através da quais elas me apreendem antes de mim mesmo, me possuem e de certa forma tornam possível (condição de possibilidade) minha própria existência em mundo e ao mundo.
O tempo e espaço são o sentido íntimo do ser que circula vivo entre eu, o mundo e o outro. Uma circularidade que não encontra termo. E pela qual encontramos fora do nós o que antes também colocamos lá, o sentido que procura significação pela expressividade de nossa corporalidade.

“O tempo é a substância de que sou feito. O tempo é um rio que me leva junto, mas eu sou o rio; é um tigre que me devora, mas eu sou o tigre; é o fogo que me consome, mas eu sou o fogo.” Borge.

Sugestão Bibliográfica sobre o SIMBÓLICO:

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BACHELARD, Gaston. A terra e os Devaneios da Vontade. Ensaio sobre a imaginação das forças. Trad. Paulo Neves da Silva. São Paulo: Martins Fontes, 1991. [Coleção Tópicos].
BAUDRILLARD, Jean. O sistema dos objetos. São Paulo: Perspectiva, 1993.[Debates/Semiologia]
BENEDICT, Ruth. O crisântemo e a Espada. Padrões da Cultura Japonesa. Trad. César Tozzi. 3 ed., São Paulo: Perspectiva, 2002.
BOFF, Leonardo. A Galinha e a Águia. Metáfora da Condição Humana. 26 ed., Petrópolis, RJ: Vozes, 1998.
CAPRA, Fritjof. O Tao da Física. Um Paralelo Entre a Física Moderna e o Misticismo Oriental. Trad. José Fernandes Dias. São Paulo: Cultrix, 1971.
CARMO, Paulo Sérgio. Merleau-Ponty: A pintura como expressão de Silêncio. São Paulo: SN, 1990.
CARMO, Paulo Sérgio. Merleau-Ponty: uma introdução. São Paulo: EDUC, 2000.
CASSIRER, Ernst. Ensaio sobre o Homem. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
CASSIRER, Ernst. Linguagem e Mito. Uma contribuição ao problema dos nomes dos deuses. Trad. J. Guinsburg e Miriam Schnaiderman(Sic!).São Paulo: Perspectiva, 1972. [Coleção Debates].
CZAMOSI, Géza. Tempo & Espaço: as dimensões gêmeas. Rio de Janeiro: Zahar, 1988.
DURAND, Gilbert. A imaginação simbólica. Trad. Carlos Aboim de Brito. Lisboa: Edições 70, 1995.
DURAND, Gilbert. As estruturas antropológicas do imaginário. Uma introdução à arquetipologia Geral. Trad. Helder Godinho. 6 ed., Lisboa: Presença, 1989.
ELIADE, Mircea. Mito e Realidade. Trad. Póla Civetti. São Paulo: Perspectiva, 1972. [Coleção Debates].
ELIADE, Mircea. O Mito do eterno retorno. Trad. Manuela Torres. Lisboa: Edições 70, 1981

Veja o link:

PASSOS Luiz Augusto & BORDEST, Suise, Monteiro Leon. Percepção Ambiental os Espaços da Cultura: Centro Histórico de Cuiabá.

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Prof. Passos

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