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TERRITORIALIDADE E INTERSETORIALIDADE

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Territorialidade nossa âncora no SER

Luiz Augusto Passos

Territorialidade não é um processo exterior a nós, de enfeite ou adereço supérfluo. É, sim, uma natureza, algo originário, ontológico, de nascença. É o modo das coisas, nós e todos o seres se apresentarem no espaço, publicizado. É nosso aparecimento ao mundo e no mundo, como forma de comunicação e comunhão, e existirem. É por isso uma coisa de natureza e não uma excrecência. Neste sentido é algo que afirma e se afina com a vida. Essa condição, não é vista assim pela sociedade e pelo sistema. A cultura invisibiliza aos nossos olhos esta dimensão inerente ao que somos e nos fazemos. Ao contrário do que a territorialidade é, é vista como exterior, fora de nós, como algo que não nos pertence ou lugar onde somos contidos. As ciências da administração, a tradição do direito, o conhecimento sociológico ou geográfico, por muitas maneira olham esta dimensão como algo sobreposto. Como um caracol que engloba uma ‘lesma’. Conhecem a territorialidade como acidente exterior, no máximo como estratégia, mediação, metodologia de procedimentos, enfim como INSTRUMENTAL. Algo que não se imiscui em nós e na gente. Que se torna, enfeite, adereço, apêndice, algo dependurado ao lado de fora do corpo, colateral ou nas categoria aristotélicas, algo acidental, que não precisava estar ali.
COMO MUDAR ESSE EQUÍVOCO?
Mudando anos mesmos pela relação. Cultivando o estranhamento dessa condição aparentemente conatural à nós. Precisamos, segundo Merleau-Ponty, reaprender a ver o mundo. Precisamos de um olhar e não um arremedo do que se dá no mundo e a nós. Que se pense a relação entre a gente e as coisas e o mundo não como uma relação estereotipada, artificiosa, fragmentada, que está sendo utilizada contra nós, para retirar o sentido fundante do mundo, como marcas de fundação hereditária. Somos terra, territórios, intersetorialidades vivas que não se distinguem completamente do todo e do tudo, e dos processos históricos que nos enredam no mundo.
É preciso compreender nosso direito de nos ver amalgamados ao mundo e no mundo, como direito de exprimir nossa expressão relacional de sermos UM enquanto corporalidade singular até o fim, incrustados na carnalidade completamente universal do Mundo.

Cuiabá, 11/03/2013

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