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Papa Bento XVI renunciará dia 28 de fevereiro: Que é isso?

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Quando soube da Renúncia do Papa Bento XVI tentei olhar no ADITAL… Estão de férias durante o carnaval. Tive de me virar eu mesmo para compreender o que se passava… Não há dogmas no meu texto, há OPINIÃO mas, razoavelmente bem fundamentada…

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Bento XVI anuncia publicamente sua renúncia. Havia já mencionado que se ficasse incapacitado o faria. A proposta é de, uma vez que sente declínio de sua ‘saúde’, deixará seu posto no dia 28 de fevereiro de 2013.  Segundo disse o cardeal Belarmino quando definiu, durante o Concílio de Trento (1545-1563)  que – “A Igreja é uma instituição tão visível quanto a República de Veneza” – o que a torna um instituição visivel, organzida por pessoas, as quais deverão sofrer pressões durante a escolha de um novo Papa, pressões por parte dos episcopados, cardeais, que sempre se vinculam – obviamente – a setores que se alinham dentro de perspectivas distintas de eclesiologia, cristologia, visões que oscilam entre modelo de cristandade àqueles que pensam numa Igreja mais evangélica e pastoral e menos “Estado do Vaticano”, mas também pressões das instituições sobretudo econômico-políticas que disputam nela a hegemonia.

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Apesar do seu conservadorismo Bento XVI manteve no debate acirrado entre os teólogos bíblicos e exegetas acerca da teoria da interpretação bíblica a chamada “hermenêutica” – que vem da Alemanha, como ele – e, que assegura um trabalho crítico, e uma procura do sentido histórico, e as semânticas própria do texto, na cultura de origem destes mesmos textos, dialogando portanto com a dimensão cultural.

Durante o Concílio Vaticano II, Ratzinger manteve-se na linha de frente em busca de uma teologia voltada ao diálogo com o mundo, o que permitiu trabalhos que impulsionaram a Igreja e a teologia a uma postura mais social, mais politica e ao mesmo tempo, pastoral. Mas, o tempo se modificou. E, aquilo que por vezes ocorre com qualquer pessoa, com a idade voltar a uma transcendência apontada por Erick Erickson, que torna-nos avôs e de certa forma, terminamos abandonando o rigor, e acolhemos os limites próprios e dos outros; ou, ao seu contrário, de incendiário nos tornamo-nos bombeiros, tentando corrigir a nós e o mundo, das nossas “inadequações”.  Quando da escolha de Joseph Alois Ratzinger ao Papado, lembro ter lido um texto do próprio Cardeal Ratzinger, publicado no ADITAL em que ele, à época conciliar, asseverava que o Papa – que não era ele! – não deveria usar de um discurso de infalibilidade, mas abrir-se ao diálogo com a Igreja. Bento XVI, hoje, daria razão a Leonardo Boff, no seu livro “Igreja: Carisma e Poder” – O poder do Vaticano asfixia o impulso vivo da criação do Espírito que torna tudo NOVO!.

Ratzinger como Prefeito da Sagrada Congregação da Doutrina da Fé

De alguma maneira os processos da Congregação da Doutrina da Fé, terminaram com tristeza vitimando Leonardo Boff por seu livro “Jesus Cristo Libertador”; o mesmo viria a acontecer à teóloga Ivone Gebara; e, recentemente, Jon Sobrino teólogo salvadorenho – amigo pessoal do Arcebispo assassinado D. Oscar Romero – teólogo que escapou do massacre da Universidade dos Jesuítas em el Salvador – acabou sendo condenado a não escrever, o que ele não aceitou. As pressões do Vaticano tinham aumentado muito sobretudo durante o Encontro do CELAM, em Aparecida (Baril) na qual o Papa veio pessoalmente, com um discurso armado, com apoio da mídia, acerca da “extinção” da Teologia da Libertação. Recentemente falecido, missionário e teólogo belga, José Comblin convocou um encontro paralelo de bispos e assessores e fiéis, grande maioria ligado a pastoras, pastores, teólogos, padres e bispos, com simpatia à teologia da Libertação, ao qual ele sempre representava. Mostrava o evento paralelo que somente em “discurso oficiosos” a teologia da Libertação tinha desaparecido, pois este evento paralelo, por curiosidade, teve grande cobertura na mídia. Foi, ainda, mais polêmico o resultado do documento final do CELAM feito em Aparecida, no qual os resultados publicados que haviam sido aprovados na Assembléia, receberam uma “faxina”, de sorte que na Internet constam, para interessados, em paralelo os dois documentos, deixando claro onde estavam os pontos de conflito.

Vaticanistas previam a renúncia: “Governar o Vaticano é impossível”

A tentativa de tentar um diálogo, terminou por nomear como prefeito, um amigo pessoal seu, mas também alguém com diálogo aberto com a teologia da Libertação. Os movimentos mais conservadores, sobretudo da Alemanha desenhavam um cisma, para uma Igreja que voltaria, efetivamente, ao modelo de cristandade, radicalizando ritos à antiga, guerra aberta à teologia da Libertação, com apoio do movimento Comunhão e Libertação, e a recente festa dos Templários.  De sorte que, o Papa, desde 2006 parecia sentir certa desesperança de poder ter poder apascentar a Igreja, com o conjunto de cardeais, congregações e secretarias no Vaticano, que se despedaçara em feudos, cujo controle impediam que se pudesse operar a unidade. Recentemente, mesmo em Cuiabá, setores conservadores geraram polêmica, buscando instaurar “signos” qualitativos de separação entre “os do BEM” – pelo o uso sistemático da batina – contra a “banda do MAL” operada pelo DEMÔNIO, dentro da Igreja, desautorizando setores da própria hierarquia.   O Papa não renuncia à toa. Parecido com o dizia Mussolini da Itália – e aqui faço uma paródia – “Governar o Vaticano não só é perda de tempo como é inútil”

É possível perscrutar um novo futuro da Igreja?

Em face da renúncia de Bento XVI, meu ponto de vista, que também é o da Fé, o Espírito Santo poderá, na história atual, e neste contexto particular, em que a sociedade toda sofre grandes riscos de sobrevivência, na continuidade da forma perversa do capitalismo, os processos de degelamento, de aquecimento global, a violência com que são atacadas ilhas, continente, e a “onda” repressiva que buscam onde estão as “Bruxas”, as corporações que vivem de desastres, estão a postos. Por outro lado,  pervade o corpo da Igreja, dos fiéis, para além do sectarismo ou salvacionismo de plantão, a busca da solidariedade, do compromisso, de uma postura “ficha limpa” que recrimina manipulação, uso do poder de forma injusta. É possível que se abram caminhos para uma posição não tão rígida, nem tão conservadora, quanto aquela de Bento XVI, trazendo a Igreja hierárquica para um diálogo menos assimétrico com seus fiéis, por uma cidadania contida e reprimida, por setores da direção, que se voltam a uma nova contra-reforma, e acendimento de fogueiras contra hereges (http://migre.me/dcjFO), exatamente o que aconteceu após o fortalecimento institucional do concilio de Trento, haja vista processos como o de Giordano Bruno, do bispo de Toledo, Carranza, etc. Sequer o Conselho de Leigos vinga no Brasil- posto que os leigos são parte integrante da organização eclesial – e não conseguiram tornar-se institucionalmente, uma “Conferência” – como aquela dos Bispos – CNBB e como aquela dos Religiosos (CRB)!

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Há uma cultura que precisa avançar para um CIDADANIA ATIVA entre os leigos que retire dos setores hegemônicos, a responsabilidade direta de curso à Igreja, sua teologia é clara, no sacerdócio dos fiéis negados na prática, do ponto de vista organizacional. É preciso, como nunca uma Igreja no Mundo, intervenção das bases, comprometida com inserção, com a valorização da ação do povo como expressão de uma fraternidade, que não pode curvar-se ao senhorio  dentro da própria Igreja: Ninguém pode ser – repito – irmão e senhor ao mesmo tempo! E, portanto, a Igreja voltaria a abrir-se a uma conversão em face dos clamores dos mais sofridos e injustiçados, de forma mais profética e menos organizacional.

Uma historinha para os incautos

Vou contar um segredinho… Certa ocasião, num almoço fraterno entre o Bispo da Prelazia de São Felix, Pedro Casaldáliga e o D. Eugênio Sales, após o almoço e o charuto obsequioso acendido, “na primeira baforada” (não estive presente, esse detalhe é para criar cenário), D. Eugênio com mansidão e afabilidade inocente, como era capaz, e disse: “Pedro, na verdade sua sagração como bispo foi um erro!” Sem que D. Eugênio expelisse a fumaça… Pedro lhe disse: “Puxa, D. Eugênio, e eu sempre pensava que estas coisas tinham a ver com o Espírito Santo!”

Resta-nos ir à luta por trazer à Igreja Viva que somos nós  sua fonte viva e regeneradora, por presença e empenho, lá onde ela precisa estar, do lado dos pobres e mártires, lutando e pedindo a Deus que Igreja renuncie ao poder de Estado, entregue o Estado do Vaticano,  o qual termina por trazer sofrimento e impotência também a Ratzinger! Por um Papa Pastor e não chefe de Estado. Pela constituição de uma Conferência dos Leigos. Pelo Sacerdógio dos Fiéis. Pelo sacerdócio ministerial às Mulheres.

Prof. Dr.Luiz Augusto Casaldáliga Passos.

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