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Um conjunto de autores da Filosofia

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Numa ementa em 2011, professora Maria Anunciação Pinheiro de Barros Neta e eu apresentamos um  roteiro de autores da filosofia que julgávamos então imprescindíveis, entre eles, alguns da idade média.

Filosofia da Educação I

Profª Maria da Anunciação Pinheiro de Barros Neta

Prof. Dr.  Luiz Augusto Passos

Estimados alunas(os) da disciplina Filosofia da Educação 2011. Aqui estão algumas escolhas que fizemos de filósofos que fundam de alguma maneira os chamados fundamentos das ciências e que determinam as correntes de orientação para o pensar  e os procedimentos teórico-metodológicos que orientam as concepções e visões de mundo, os valores e as práticas dos seres humanos, no mundo, com os outros. E, por isso, o grande universo da ciência que rege as Pedagogias. Ao escolher alguns destes textos, podemos migrar para outros que sejam complementares. Tudo isso vai exigir um bom trabalho árduo de dedicação às leituras que de alguma forma criam munição para citar os autores que fundamentarão os projetos de pesquisa a partir deles mesmos, de primeira mão com os nossos textos. Apesar de parecerem muitos autores, é infinito o número de “crimes” que fizemos ao escolher entre muitíssimos, estes poucos. Um grande abraço e um feliz estudo para todos e todas. Lembrem-se de que talvez seja uma das poucas vezes em que poderão dedicar-se ao estudo da filosofia que orienta todo o outro universo das outras disciplinas da Pedagogia. Bom trabalho: cada um de nós sai ganhando muito se nos organizarmos desde o início para o fichamento cuidadoso de forma a criar desde já, um conjunto de dimensões que farão parte do nosso acervo pessoal para futuras especializações, projetos, pesquisas, mestrado e doutorado.


  1. 1. Thomas Morus: Utopia (Filme: O homem que não perdeu sua alma).
    1. A ética, a verdade e o poder. Dimensões de uma luta entre a crença da síntese entre o institucional e os processos de poder: onde fica a ética? Diferença entre ética e moral.
    2. 2. Erasmo de Rotherdam: “O elogio da Loucura”A crítica aos desmandos do poder banal e ilusório. A forma de criticar uma sociedade pelo humor e pelas distopias, aquilo que mostra o desordenamento capaz de destruir valores humanizantes.
  1. 3. Voltaire: “Candido ou o otimismo” O iluminismo do progresso e das elites pensantes contra a vulgaridade dos sem luzes. A crítica à epistemologia inerrante e a tese de progresso inerente na história. A epistemologia está presa a crenças sem fundamento e sem crítica razoável. Os processos históricos e a construção do conhecimento tende à degradação moral e à prepotência e à desordem, não ao progresso. Novamente, Voltaire critica o senso comum, as dimensões do passado e do “obscurantismo medieval” contra sua crença no Projeto das luzes.
  1. 4. Jean Jacques Rousseau: Emílio e a Educação. O iluminismo às avessas. A crítica ao pensamento sofisticado, ao intelectualismo, ao progresso e à ciência, e a valorização da natureza pelo seu lado romântico e utópico. Debate do livro à luz do livro de Danilo Streck: Rousseau e a Educação

  1. 5. Giordano Bruno: (Filme: Giordano Bruno) de Vitório de Sica.
    1. Texto: Mestres da Renascença de Rodolfo Mondolfo: ênfase da leitura do texto: dimensões novas da filosofia de Giordano Bruno, o processo inquisitorial. Que tipo de filosofia propõe Giordano ]Bruno? Que o conflito entre Giordano Bruno e a Igreja Romana?
  1. 6. Martinho Lutero: (Filme: Lutero) A Reforma o caráter de recuperação de dimensões da nacionalidade e da cultura ( a fé como dimensão viva e histórica) versus a Fé como dimensão mística sem apoio institucional. A ética pessoal contra a ética como corpo. A dimensão do ser humano como pecador, o caráter de uma falha original e o caráter corretivo pela educação e pela racionalidade. Inauguração da Escola, por Comenius e da Escola bíblica.
  1. 7. René Descartes: A dúvida metódica como centro da filosofia. Os reinos separados: espírito e extensão. As concepções matemáticas,exatidões e as coordenadas cartesianas na cultura. Exposição do livro(tese): Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda: a diferença entre a colonização espanhola das Américas e a colonização lusitana.
  1. 8. Emanuel Kant: Reinos distintos: razão, cultura e necessidade, leis que regem fenômenos físicos. A estética de Kant: Espaço e Tempo: o conceito de representação: fenômeno (o que aparece para nós) e nóumenon (como a coisa é em si mesma, sem nós).
  1. 9. Jean Paul Sartre (Tomar a dimensão ética: “O Existencialismo é um Humanismo”. Lévinas: a compreensão do outro e a ética como a primeira filosofia. Merleau-Ponty: a ambigüidade até o fim: eu-outro-mundo. O existencialismo e suas características comparadas nestes três autores. Uma epistêmo-antropologia voltada à ambigüidade até o fim. erleau-Ponty (Temporalidade In Fenomenologia da Educação”) e Emanuel Mounier: (Mounier: livro: “O personalismo”).

10. Max Weber: Uma inconsciência das determinações da sociedade que tomam o indivíduo através da cultura?

11. Platão:

Partir do afresco de Da Vinci onde se encontram Platão e Aristóteles.

a) Platão por Platão: A centralidade de texto: “Mito da caverna” Mundo das Idéias; a essência do real; o problema da aparência; o caminho da filosofia. O conhecimento inato. Uma educação para a racionalidade. A Lete (esquecimento) e a aletsia: reminiscência. O valor do espírito e o empecilho da carne. Uma filosofia do espírito.

b) Aristóteles: a terra, a física, a ciência. Matéria e Forma, princípios indissociados. A indissociabilidade do corpo e do espírito. O movimento: Da potência ao ato: o devir ou o vir-a-ser (Texto: Ética a Nicômaco). O Já-aí (Pro-jeto) e o ainda-não (Utopia). Nada está no intelecto que não tenha passado pelos sentidos. O critério da verdade: adequação da mente ao objeto (objeto determinante): uma epistemologia realista e a passividade do sujeito face a determinação do objeto.

c) Sócrates:Apologia de Sócrates” de Platão. Conceito de conhecimento inato e parturizado: maiêutica. Cinismo socrático. A “docta ignorantia”: Sei que nada sei.

  1. 12. Parmênides e Heráclito: A dialética na antinomia dos paradigmas. Parmênides: Tudo que é, é ser (isto é, existe): só o ser existe. Heráclito: O não-ser é não-ser (existe também). Parmênides o ser é único, eterno, perfeito e imutável. Heráclito o ser é e não é.  Não é perfeito, é múltiplo, temporal e mortal

13 .           Hegel: A fenomenologia do Espírito. Sistematizador da dialética tal como a conhecemos. Gerou a dialética que Marx tomou para si, invertendo a determinação da Idéia e do Espírito (Idealismo), para a determinação da matéria (Materialismo). A história da humanidade como a história do espírito Absoluto que se objetivisa na história e no tempo e no espaço:

“Hegel foi, sem dúvida, um dos maiores expoentes da filosofia. Gerou não apenas uma filosofia mas, fundamentou de maneira radical a dialética do pensamento moderno. Dele surgiram movimentos opostos: a “direita hegeliana” e a “esquerda hegeliana”. Um brilhante filósofo brasileiro, do qual fui aluno, Tarso Massoti, disse-me certa ocasião que Hegel não era idealista mas, materialista: tinha sido a matéria que acordara a Idéia adormecida. Concordemos ou não, com Tarso, esta foi a leitura que Marx fez sobre  Hegel e que forneceu condições de preciosa leitura do mundo humano e político” Passos: Filosofia para Educadores: VI Hegel” Cuiabá:2008.

14 .      Friedrich Nietzsche: A gaia Ciência e o Humano, demasiado humano. Dimensões da dissolução do sujeito. “No dia que Nietzsche chorou”. Debate. Aspectos importantes e centrais: a critica radical a Kant, à filosofia alemã. Crítica a partir de Fichte e Shopenhauer à vontade de poder. O homem como expressão coletiva da cultura humana.

  1. 15. Émile Durkheim: A sociologia de uma física social. O Funcionalismo como pré-determinação de uma solidariedade praticada em afinação com a ordem social e dimensões essenciais da cultura, guardar as instituições para que não seja uma inutilidade conhecer e trabalhar para tansformar o mundo. Texto de Educação das gerações.
  2. 16. Karl Marx: (Prefácio da Crítica da Economia Política: O Capital) e Manifesto do Partido Comunista. A determinação da sociedade pela história da luta de classes. As classes sociais uma vez que se justapõe em oposição e em luta moral pelo poder de exprimir sua sobrevivência, a história é a história da luta de classes. Os modos de produção, os meios de produção. A supressão do conflito e a síntese pela abolição da luta de classes. O comunismo. O homem não põe para si problemas para os quais já não tenha gérmen de sua solução.
  3. 17. Santo Agostinho: Texto: “Confissões”. Imprescindível compreender a Idade Média e a duração do Platonismo, e suas formas dualistas que respondiam ao maniqueísmo e possibilitaram no cristianismo uma religião do Espírito. Plotino acaba por dar uma filosofia alternativa à discussão do problema do Mal, ao qual Agostinho (II) se apega e volta-se, ele ligado ao maniqueísmo, a uma posição oposta. “Cidade de Deus” é a utopia a ser construída na terra, na cidade dos homens.
  4. 18. Baruch Spinoza: a questão política: O poder político. Spinoza mencionava que a atribuição da política por homens e mulheres que delegam a outras pessoas que em nosso nome, utilizando da fatia de poder que temos na determinação da ordem política a pessoas que a exerçam por representação, por nós, corresponde a uma capitulação do ser político que todos somos e do poder político que temos. O Estado somos nós! A todo homem e a toda mulher cabe a responsabilidade pela ordem/desordem política que temos.
  5. 19. Pragmatismo inglês ao Americano: David Hume e John Locke à William James a Rorthy. Karl Marx considerou o encontro dele com a Filosofia de Hume e Locke como o grande momento crítico que o distanciou definitivamente da filosofia alemã, e o pôs na rota do que poderíamos chamar de anti-hegelianismo. Retoma, com o único filósofo alemão que concede diálogo Feuerbach determinações fundamentais para uma crítica da religião, e a fundamentação da esfera da alienação e o reencontro da humanidade e, sobretudo, do proletariado com ele mesmo.  A grande filosofia contemporânea em ascensão vai dialogar, outra vez, com o pragmatismo, em nova versão, novas referências.

Profª Maria Anunciação Pinheiro de Barros Neta

Prof. Luiz Augusto Passos

Cuiabá, 04/08/2011

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