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Filosofia Medieval

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Alun@s do Segundo Semestre de Filosofia

Havia prometido postar hoje para vocês o texto que introduz  conceitos fundamentais para compreensão da cultura do período medieval, salientando dimensões de uma cultura primorosa em muitos setores das ciências já em construção e das artes, de modo muito particular regado com Aristóteles que chegava com a sistematização fundante das ciências da “física” – e, portanto das ciências da natureza, e da matéria – como dimensão compreendida como distinta da metafísica, mas não separável dela, tradição da visão de complexidade e e de unidade do hilemorfismo – isto é da “forma” como princípio organizativo, interior, que se expressa na matéria prima e define a identidade dos seres e das criaturas, num ato de mútua comunhão.

Houve, um pequeno problema, o texto estava no computador que está sendo formatado e preciará um dois dias para poder postá-lo no nosso site.

Acentuei, propositalmente, que o “obscurantismo” medieval foi uma fenômeno de “mídia” dos revolucionários – sobretudo, franceses que precisavam por duas grandes razões, contrapor o novo projeto revolucionário a uma descontinuidade absoluta com duas forças de poder que anteriormente dominavam a cena: a IGREJA e a REALEZA.

Era menino, ainda muito pequeno, e meu pai curiosamente definia assim a maçonaria: “O ideal da maçonaria é enforcar o último papa com as tripas do último rei.” Ele não era maçom. Mas encontrou de maneira redonda da sua experiência, do que ouvia e lia, uma definição adequada, posto que vigia entre os filósofos desde os primeiros séculos, e antes deles, confrarias, uma delas célebres da de Quram, do Mar Morte, da qual João Evangelista era parte, e que possuia formas organizadas num ideal místico, voltado a uma certa arte mágica, que permitia de alguma maneira uma condição de transcendência sagrada ás pessoas, com forças inusuais. Às vezes se autoreconheciam como ligadas a um conhecimento com caráter de GNOSE que pressupunha acesso às pessoas por iniciação. Quase todos os filósofos medievais e da renascença e os revolucionários participavam no Movimento Rosa Cruz, entre eles BACON, NICOLAU DE CUSA, DESCARTES, NEWTON, KANT  e assim por diante. Também a crença no arquiteto do universo é fundamento para os maçons, mas ao mesmo tempo, o que se chama um certo agnosticismo que afirmava: “Deus sub lunaria non curat!”  Isso é, o que está debaixo da lua, não é mais preocupação de Deus, e, sim tarefa política dos homens. Hitler formulava de maneira ainda mais radical: “Deixem os céus para os cristãos e os pardais, da terra cuidamos nós!”

Pode-se afirmar sem erro, que a tentativa de tornar a Idade Média uma fase de obscurantista, é uma farsa dos historiadores e dos revolucionários franceses, para realçar o caráter de descontinuidade do NOVO REGIME contra “l’Ancièn régime”.

O que os revolucionários franceses, e ingleses cem anos antes, fizeram de mais pérfido por desconstituir a autoria do que havia sido pensado durante três a quatro séculos antes, e amadurecido durante o medievo, e, por óbvio, muito menos pelos chamados “europeus”, do que pelo resultou na cultura árabe, de sua convivência por alguns séculos antes, das obras de Aristóteles, que forjara o dia a dia do mundo árabe e turco.

Ao lermos a história da Europa, a grande ausência inominada é a contribuição de turcos e árabes, mas sobretudo os segundos.

Para terminar de maneira coloquial, estava eu em Viena na Áustria, emocionado com a beleza,  a técnica e a sofisticação da arquitetura dos seus artistas na construção e detalhes da Catedral de São Estevão. Um amigo que conheci no Brasil muito querido e pessoa de referência, ativista, voltado à ecologia e formas humanizadoras, João, austríaco e nascimento, me encontrou olhando o púlpito, onde se faziam os “Sermões” ou as “Homilias”, lugar de destaque para que as pessoa pudessem enxergar o pregador, num lugar mais alto, Este púlpito que alcançava de mais de três metros de altura foi  entalhado até o centro da madeira, com pessoas em pé, sentadas, no miolo interno da madeira, com uma perfeição extraordinária, Ele me viu extasiado, chegou de mansinho, pôs a mão no meu ombro e eu lhe disse: “Que me perdoem os pós modernos…” Não conclui a frase, era desnecessária.

É por puro desconhecimento, e ignorância que as pessoas aceitam essa cultura, deformada, de que a Idade Média era se constituía como o séculos das trevas. O mosteiro MELK que também conheci, onde se deu o episódio sombrio do Romance “O Nome da Rosa” é prova cabal daquilo que a fantasia cria em nós, como “representação” da violência instintiva e vazia de um período que deu as bases do próprio Esclarecimento, o movimento da LUZES, e a partir dele a cultura da modernidade, que conseguiu ser mais perversa no seu desprezo à natureza, à poesia e á criação humana. Abaixo dois contrastes, a da Catedral de São Estevão e a seguir o interior do convento MELK.

Prof. Dr. Passos

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