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AMPLIAR ACESSO E QUALIDADE NO ENSINO MÉDIO

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João Monlevade

João Monlevade

Recebi do professor João Monlevade um interessantíssimo projeto acerca de possibilidades de ampliação da qualidade da educação e de ampliação de acesso, com impacto ao Ensino Médio

Idéias sobre Acesso à Universidade em Goiás

Vivian

  1. No século XXI ocorreu um crescimento de vagas em cursos de graduação públicos (UFG, IFG, UEG) bem maior do que o aumento do número de concluintes do ensino médio. Em 2011 tivemos cerca de 80.000 concluintes do ensino médio, somando a rede estadual (65.000) e a rede privada (15.000). Enquanto isso, as vagas nos cursos de graduação em 2012 chegam a perto de 15.000.
  1. O aumento de vagas, que se reflete no crescimento de matrículas, foi possível principalmente pela implantação de novos cursos da UFG – em especial no campus de Catalão – e pela multiplicação de campi dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, com cursos de licenciatura e tecnologia. Mas é muito significativa a presença dos cursos de graduação da UEG, especialmente nas cidades do interior do estado.
  1. Mesmo com esse crescimento e a abertura de cursos noturnos, ainda não existe uma democratização satisfatória no preenchimento das vagas, ocorrendo em Goiás o mesmo fenômeno que se dá no resto do Brasil: os estudantes que têm acesso aos cursos mais disputados provêm das escolas privadas de ensino médio. Esse fenômeno contribui de forma pesada para o desestímulo dos alunos do ensino médio público em seu esforço de aplicação aos estudos. A estrutura de acesso acaba por influenciar negativamente na qualidade do ensino na rede estadual, até mesmo no ensino fundamental, cujos professores se acomodam com a discriminação já histórica que sofrem seus alunos no percurso escolar. Daí os resultados medíocres das escolas estaduais no IDEB.
  1. Como reverter esta situação?
  1. Duas políticas já estão em curso. A primeira é a da ampliação das vagas nos cursos de graduação, principalmente em cursos noturnos. A segunda é a política de cotas, que deve ser reforçada com a sanção da lei federal que reserva 50% das vagas das instituições federais (universidades e institutos) para os alunos egressos de escolas públicas.
  1. Mas existe outro caminho a se tentar. Qual é? É a articulação do acesso às vagas dos cursos públicos a uma avaliação cumulativa no ensino médio. Como?
  1. A idéia é simples. Façamos uma simulação. Imaginemos que 80.000 novos estudantes se matriculem em 2013 nas escolas de ensino médio em Goiás, 65.000 no primeiro ano de escolas estaduais e 15.000 de escolas privadas. Pensemos que haja um esforço de maior aumento de vagas nas instituições federais e estaduais que resulte em 25.000 para o ano de 2016. Um programa estadual centralizado de avaliação conjunta – pelas escolas e pelas instituições federais – destinaria 16.000 dessas 25.000 vagas de 2016 para disputa entre os 80.000 que se matriculariam no primeiro ano do ensino médio de 2013: seriam 5 candidatos por vaga.
  1. Cada escola, pública ou privada, receberia uma cota de vagas proporcional. A que tivesse 100 alunos no primeiro ano, teria 20 vagas. A que tivesse 200 alunos 40 vagas, e assim por diante. Os alunos seriam avaliados segundo dois critérios: ordem de classificação em um exame central (que no 3º ano poderia ser o ENEM) a critério das instituições federais e estaduais que entrassem no Convênio, e ordem de classificação nas avaliações de cada escola. Na prática, os 20 alunos mais bem classificados da primeira escola e os 40 da segunda – desde que tivessem confirmada sua posição no ranking do exame central, escolheriam sua vaga no rol dos cursos oferecidos de acordo com a classificação geral.
  1. Imagine-se a mudança de comportamento dos estudantes e professores, sabendo que: a) os alunos garantiriam seu curso superior gratuito a partir do desempenho na própria escola (esforço e mérito do aluno); b) eles só teriam a confirmação do curso pretendido se tivessem o melhor desempenho possível no conjunto dos três exames centrais (qualidade da escola).
  1. Para garantir o incentivo durante os três anos, as avaliações anuais – tanto da escola como dos exames centrais – teriam ponderações crescentes, guardando as maiores esperanças para o terceiro ano: 20%, 30% e 50% , respectivamente.
  1. Que tal? Deu pra entender? Qualquer dúvida, conversamos depois.

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