Menu

REFLEXÃO SOBRE BOLÍVIA: Fernandez Buey

Nenhum Comentario
Causa de Francisco Fernández Buey

Causa de Francisco Fernández Buey

De Solange Pereira para nós…

Bom dia gente

Encaminho em anexo uma reflexão de Francisco Fernandez Buey, sobre os movimentos sociais da Bolívia nos últimos anos.
Fernandez Buey, filósofo, militante e professor espanhol, estudioso da ecologia social e do movimento altermundialização, ao nos trazer nestas linhas o caso da Bolívia, relativiza o ponto de vista eurocêntrico para analisar questões emergenciais para a comunidade planetária. Nos dá uma perspectiva da possibilidade de um Estado Multiétnico.
O autor e nos dá uma pista da importância do protagonismo popular, notadamente dos povos indígenas, que lutam pela soberania nacional frente ao poder das empresas transnacionais, tendo como pauta a defesa dos bens naturais, culturais, sociais coletivos:
1- o controle sobre os principais recursos naturais do país;
2- reforma constitucional profunda que havia de dar mais poder para os setores mais desfavorecidos do país
3- reforma agrária que permitisse o cultivo da terra em condições dignas a dos camponeses pobres;
4- um referendo sobre as autonomias regionais para lograr o consenso entre as populações do oriente e o ocidente bolivianos
5 – decisão sobre as plantações de folhas de coca para finalidades rituais próprias dos povos indígenas locais.
Nós, do Brasil, país que sempre esteve de costas para os países vizinhos, muitas vezes olhando-os com desprezo e arrogância, podemos também nos despir do nosso infundado eurocentrismo.  Ainda que saibamos que todos os processos sejam plenos de contradições, de fluxos e de refluxos, os movimentos em direção à salvaguarda dos patrimônios naturais e coletivos são fundamentais nestes tempos de crise por que passa o Velho Mundo.
Apesar de termos eleito um governo popular, percebemos nesta década de “pacto de governabilidade” que precisamos distinguir entre estar no governo e ter o poder. Nestes tempos de Projeto de Aceleração do Crescimento e do novo fôlego do processo de privatização, vale a pena pensar noutra possível forma de governar, e colocar os movimentos sociais populares e suas reivindicações na agenda e na pauta da presidenta.
O Brasil, apesar de sua tão aclamada Constituição Federal de 1988, fruto de um processo de mobilização social legítimo, encontra-se refém das negociatas dos parlamentares da Bancada Ruralista e seus aliados.
A bancada ruralista da Câmara de deputados e do senado federais e seus tentáculos do legislativo nos estados e municípios atualizam e legitimam  os tempos do Brasil Colônia submetendo a Nação, povo e território, à sanha dos especuladores das bolsas de valores, à ditadura do mercado financeiro.
Estes parlamentares, prepostos dos agronegociantes, das chamadas commodities, representam o que há de mais vampiresco, pois alimenta-se das dívidas, das desgraças alheias, envenena e escraviza seu povo. Transformando a terra de trabalho em terra de negócio, como diria Martins.
A terra para viver quando transformada em terra de especulação produz doença no solo e nas águas, fere e mata fauna, semente,  flores e frutos. Põe em risco formas de energias sutis, reais para quem busca conectar-se à Teia da Vida, tendo como princípio o Bem Viver.
Fernandez Buey, com suas reflexões me levou a sonhar, sou grata por este instante.

Acesse o texto abaixo:

Multiculturalidade e democracia

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *