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O que vai rolar…

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Comentário professor Passos

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Zilma manifesta de maneira muito feliz o sentimento de descoberta e de possibilidades que cercam o Curso, que apenas começará amanhã, por um momento presencial de uma conferência de hora e meia, do Professor Fabio Di Clemente. Tenho brigado com os textos de Merleau-Ponty há anos, com a consciência sempre crescente de não conhecê-lo. Sentimento de ‘estrangeiricidade’, com diria Albert Camus. Mas cresceu em mim, nos pouquíssimos encontros com o Professor Fabio, de que a ignorância que temos em nós e que nos cerca pode ser bem maior.
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Di Clemente abre perspectivas abrangentes a partir das fontes escritas por Merleau-Ponty, que teve também como Marx, no seu tempo, uma grande obra aberta a ser construída, e que só pequena parte dela puderam ambos, realizar. Talvez a diferença entre ambos, Merleau-Ponty conhecera no seu tempo uma guerra da qual participou, que apesar de ser constantemente negada pela ‘intelligentzia’ também foi fruto direto da modernidade, como tão bem, neste aspectos, critica a escola de Frankfurt.
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Di Clemente mostra a continuidade do último Husserl, sobretudo no último Merleau-Ponty. O encontro com a linguagem e a possibilidade que se abre para o grande diálogo de Merleau-Ponty com todos os renegados da modernidade: Nietzsche, Levinas, Foucault,  Derridas, entre tantos.
O trabalho de Di Clemente possui a força de dialogar com toda a ciência contemporânea, mostrando limites e possibilidades, longe de postar-se na ignorância como o lugar da impossibilidade, demonstra que é, socraticamente, a partir dela que podemos “levantar vôo” filosófico, na obscuridade – retomando a linda expressão de Hegel.
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Tenho imensa pena, que muitas pessoas que sofrem de um mal estar pessimista – isso deve ser um plenasmo! –, não possam ouvir Di Clemente, para construir asas de sonhos e possibilidades, esgarçando possibilidades, ainda não experimentadas, e que nascem do chão mesmo da existência e da busca das ciências contemporâneas, não no fetichismo das idéias arrumadas e amansadas pelos mecanismos lógicos.
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Tenho certeza, e adianto, que teremos todos muito a aprender da troca entre nós, de nossas intuições e vivências, à luz do pensamento de Husserl e Merleau-Ponty, na leitura instigante e esperançosa de Di Clemente.
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Há tudo a ser feito. Fica próximo o desafio de Merleau-Ponty, no tempo, de podermos reaprender a ver o mundo!
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Luiz Augusto Passos


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