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Crônica Seminário Avançado

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Na disciplina Seminário Avançado Movimentos Sociais e Educação, a Profa. Ms. Dariluce Gomes da Silva realizou uma crônica-ata do ocorrido que dispôs, gentilmente, sob solicitação,  ao acesso de todos nós. –

Crônica de uma noite abençoada

(parafraseando García Marquez, o “da morte anunciada”)

Dariluce Gomes da Silva

Já em casa, bebericando um licor de jabuticaba de minha própria lavra, volto aos fatos.

No dia 17/03/2011, na Sala 59 do Instituto de Educação (IE) da UFMT, reuniu-se “a diversidade” para dar início ao Seminário Avançado I, sob a orientação do Dr. Luiz Augusto Passos (figura ímpar, que consegue agregar em torno de si problemáticas e estudos extremamente significativos dos Movimentos Sociais). Sala abarrotada de gente, todos sentados muito próximos uns dos outros, pessoas chegando de diversos pontos, pedindo licença, entrando ressabiados e depois surpresos com o quantitativo presente…

Imbuídos do mesmo desejo, ali estavam enfermeiros, psicólogos, pedagogos, filósofos, assistentes sociais, administradores de empresas, policiais militares, psicanalistas, advogados, biólogos, contadores, historiadores, professores de nível médio, de nível superior e matemáticos… Alguns presentes se encantaram com essa gama de interesses profissionais e pela motivação comum: produzir e socializar conhecimentos, por meio da interação e da dialogia…

Inicialmente tímidos, quando as apresentações “deslancharam” no grupo, torrentes de palavras passaram a brotar dos lábios de todos e de cada um em particular, ávidos por apresentarem seus anseios, seus projetos e aspirações, esperançosos de, através da palavra enunciada, tornar coletivas as preocupações pessoais…

Vieram à tona projetos em andamento, projetos em construção, projetos ainda não definidos, pessoas desejosas de clarear para si os seus objetos de estudo através do olhar do outro, das intervenções cheias de empatia que iam surgindo… Questões relacionadas aos mais diversos aspectos dos movimentos sociais foram postas à baila: as políticas públicas, a saúde popular e os mecanismos de prevenção, as relações interpessoais e a sexualidade, a segurança pública, a violência urbana, a construção da identidade, a corporeidade, as representações sociais, os modos de ser e estar no mundo…

Assim, foi possível perceber que, no grupo eclético de estudos que ora se constituía, havia pontos de convergência muito significativos: a compreensão de que nas questões sociais (saúde, educação, qualidade de vida…) há que se trabalhar primeiro com a prevenção e a orientação, evidenciando a autoestima e o resgate da cidadania; a emoção de poder realizar trocas experienciais; a busca da autoridade dos pensadores e estudiosos para a validação dos estudos e das pesquisas; o desejo de sair do senso comum e partir para o aprofundamento das questões polêmicas da contemporaneidade e, sobretudo, o desejo de contribuir na construção de um ethos social composto  por seres  mais íntegros e saudáveis, na devida amplitude das expressões…

Repentinamente começa um princípio de debate, a polícia pacificadora é posta em cheque após a apresentação de um colega, a indignação presa na garganta explode, mas é delicadamente contida para que seja externada num momento oportuno, a posteriori

Exageros à parte, difícil traduzir em palavras a torrente avassaladora, a tsunami de emoções que dominava naquele momento pesquisadores do PIBIC, recém-graduados, mestres e mestrandos, doutores e doutorandos, pós-doutores, “alunos especiais” selecionados e professores que ali estavam, com a sensação personalíssima de terem sido bafejados pela sorte, privilegiados pelo momento e pela circunstância…

Quando o grupo retirou-se do recinto (não sem relutância, mas estava findo o tempo pré-estabelecido para a realização da aula e outros compromissos e comprometimentos “chamavam” a todos), pairava no ar um sentimento de alegria e gratidão pela possibilidade de ter estado ali, de poder construir conhecimentos na alteridade, de se “repaginar” enquanto autores e produtores de conhecimento, enfim, o sentimento de pertença por terem sido aceitos e acolhidos como integrantes de um novo grupo, entre tantos que o Prof. Passos já orientou e orientará…

E, como no Desenredo de Guimarães Rosa, “pôs-se a fábula em Ata”.

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